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Caracterização geral de uma área particular - O Ribeiro de São Pedro na Marinha Grande (in portuguese, you can use babel fish for translation)
Tive recentemente o prazer de encontrar uma área natural extremamente particular e fascinante, o vale do Ribeiro de São Pedro ou Ribeiro de Moel.
Esta área que se estende ao longo de cerca de 7km, apresenta características naturais verdadeiramente únicas no contexto de toda a região envolvente. Do ponto de vista hidrológico, uma das características mais distintivas no contexto das bacias hidrográficas de pequena dimensão que caracterizam a região, é o de apresentar água corrente e abundante ao longo do ano. Esta situação é ainda engrandecida por um conjunto de nascentes existente nas suas margens, com contributos mais ou menos regulares, que têm origem na elevada permeabilidade das areias que circundam o vale. Estas nascentes, várias delas transformadas em fontes, originam a formação de pequenos riachos, que confluem no ribeiro principal após algumas dezenas de metros de extensão.
A vegetação arbórea ripícola e sua circundante é caracterizada por espécies dominantemente não nativas do nosso país. Este facto que infelizmente cada vez mais caracteriza a paisagem natural portuguesa apresenta-se para este local como um verdadeiro paradoxo. De entre as que aqui ocorrem destaca-se a presença do eucalipto (Eucaliptus sp.)e de várias espécies de acácias (Acacia sp.). A acácia, um género que possui várias espécies invasoras no nosso país (e legalmente reconhecidas como tal), tem implicado impactes ecológicos inegáveis em muitos locais em virtude dos extensos mantos que forma e consequente erradicação da vegetação nativa (veja-se por exemplo no Parque Nacional Peneda-Gerês, ou na área envolvente a este vale). As espécies deste género aparentam, no entanto, estar em relativo equilíbrio com o ecossistema, muito em virtude certamente de uma continuada acção controladora humana, não sendo reconhecíveis grandes formações arbustivas, excepto em algumas vertentes mais afastadas recentemente sujeitas a desflorestação. Os eucaliptos, muitos de extraordinário desenvolvimento vertical, não parecem também manifestar qualquer comportamento invasor. Estas árvores em conjunto com um rico mosaico de outras espécies, algumas nativas e de elevado interesse para a conservação, como o loureiro(Laurus nobilis),o ulmeiro (Ulmus minor) ou o carvalho-negral (Quercus pyrenaica), formam um coberto bastante denso. Esta característica ajuda a tornar único este vale comparativamente ao contexto envolvente. A elevada densidade do coberto reduz a insolação junto ao solo, atenuando a temperatura, retendo a humidade, aumentando os períodos de permanência das águas superficiais pouco profundas e impedindo o desenvolvimento de espécies vegetais heliófitas, como as silvas (Rubus sp.). É sobretudo o contributo desta característica que permite a existência de elevadas abundâncias de espécies de flora tão particulares como o feto-real (Osmunda regalis) (foto 1) ou a gilbardeira (Ruscus aculeatus).
A água, embora não tenha efectuado qualquer tipo de análise além da visual, aparenta boa qualidade sendo límpida e sem formação de espumas, o que não deixa de ser louvável considerando o cariz marcadamente industrial que caracteriza o Concelho e dentro do qual se situa a maioria da bacia hidrográfica do Ribeiro. Esta percepção visual é ainda confirmada pela presença de peixes como a rara lampreia-de-rio (Lampetra planeri) (foto 2), o ruivaco (Chondrostoma oligolepis) (foto 3) ou a enguia (Anguilla anguilla) e pela elevada abundância de algumas outras espécies consideradas excelentes bioindicadores como as libelinhas Calopteryx haemorrhoidalis. A densidade desta última nesta área é, de resto, das mais elevadas que já tive oportunidade de presenciar.
A riqueza da fauna aparenta ser muito elevada sobretudo pela forma com que contrasta com a existente nas áreas envolventes. Aqui ocorrem algumas espécies marcadamente associadas às áreas montanhosas situadas mais a Norte no país. Exemplo disso é a rã-ibérica (Rana iberica), uma espécie endémica da Península Ibérica que se distribui quase exclusivamente no seu quadrante Noroeste. O Ribeiro de São Pedro apresenta-se como o habitat de um núcleo populacional isolado e com a menor extensão que se conhece para esta espécie. Esta é sem dúvida uma ocorrência que representa um elevado contributo para a diversidade biológica da região. Nas aves há a destacar a ocorrência de guarda-rios (Alcedo atthis), alvéolas (Motacilla sp.), chapins (Parus sp.) e inúmeros outras, conjugando espécies marcadamente associadas a habitats ripícolas com outras típicas de áreas florestais densas.
Os levantamento da riqueza biológica para a área são aparentemente reduzidos, ou no mínimo pouco divulgados, o que implica que muita da diversidade existente neste vale possa não ser ainda conhecida ou devidamente valorizada. Deixo aqui o repto a que esse trabalho seja desenvolvido ou divulgado e sobretudo que sirva para a a salvaguarda da diversidade biológica da área.
posted: 01-05-2008 by: César Capinha
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Acerca do livre-trânsito para espécies invasoras (In Portuguese)
As invasões biológicas por parte de espécies exóticas correspondem a um processo natural que sempre teve lugar na Biosfera. A recente tendência humana para um comércio cada vez mais global tem-se tornado um dos principais vectores para a crescente introdução de espécies não nativas, convertendo-nos num agente dispersante extremamente mais poderoso do que os que durante milhares de anos desempenharam esta tarefa, como o vento ou as correntes marítimas.
A grande maioria das espécies introduzidas não prosperam, ou pelo menos não sem a nossa ajuda, como é o caso da batata ou o milho, que tanto alimento nos tem providenciado. Outras porém adaptam-se às características dos novos locais conseguindo subsistir, procriar e expandir as suas populações. Estas espécies actualmente dispersas na sua maioria pela acção humana interagem com os ecossistemas acabando inevitavelmente por os alterar. O que muitas vezes esquecemos é que também nós fazemos parte destes ecossistemas e que estas alterações vão ter repercussões também sobre nós.
E quais serão estas alterações? Este é a grande questão. É-nos impossível prever a totalidades das alterações que a introdução de determinada espécie invasora possa ter sobre um local de onde não é nativa. Esta situação é ainda agravada por uma mesma espécie invasora poder apresentar comportamentos invasivos distintos para diferentes locais de introdução.
Um impacte muitas vezes sentido têm sido a homogeneização da biodiversidade. A competição directa ou indirecta com as espécies nativas tem feito que em muitos locais estas últimas fiquem a perder. As invasões biológicas são apontadas por vários autores como a segunda maior causa de ameça à biodiversidade, logo a seguir à destruição de habitats, um sinal que deveria ser mais do que suficiente para que se fizessem todos os esforços possíveis para evitar estas situações. Mas, nem só a biodiversidade se ressente deste fenómeno. Também chega a nós, e de que maneira...
Os impactes destas espécies têm efeitos negativos e inequívocos em campos por nós muito estimados como a economia e a saúde humana. Os impactes económicos destas espécies são de várias ordens e atingem cifras na ordem dos biliões. Por ex. o United States Department of Agriculture Animal and Plant Health Inspection Service (APHIS) contabilizou prejuízos na ordem de 138 biliões de dollars anuais para o país. A saúde humana também se ressente. Várias destas espécies são agentes transmissores de organismos patogénicos, ou causam elas mesmo um efeito negativo na saúde humana. Quando se refere por exemplo o facto de a espécie em questão ser utilizada para consumo humano e como tal merecedora de um livre-trânsito, menospreza-se todo um novo rol de interacções para as quais não conhecemos as consequências. Talvez um caso semelhante possa ser o de um caracol nativo da América do Sul que foi introduzido em território chinês para consumo humano. Este caracol tornou-se invasor tendo causado grandes estragos nas agricultura local, mas mais grave ainda, tornou-se um intermediário à transmissão de um nematode que causa um determinado tipo de doença cerebral nas pessoas que o consomem. Sem ter que ir a terras de oriente, basta-nos olhar para a nossa situação com o lagostim-vermelho- da-Louisiana, introduzido como uma potencial mais-valia económica e alimentar. Esta espécie é actualmente responsável por elevadíssimos prejuízos económicos na agricultura, sobretudo arrozais, e com conhecidos impactes negativos directos sobre fauna nativa. Inúmeros outros exemplos como estes se poderiam aqui referir, aconselho por isso uma consulta a alguma informação facilmente acessível na internet.
http://www.gisp.org/ -> The Global Invasive Species Programme - Fornece uma óptima newsletter, "recheada" de exemplos.
http://hidra.udg.es/invasiber/presentacion.php - Base de dados com as principais espécies invasoras da P. Ibérica.
http://www.cdc.gov/eid/content/13/7/1119.htm - O caso do caracol...
linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0925857499000142 - O caso do lagostim...
http:// .environment.gov.au/biodiversity/invasive /publications /rabbit /pubs/rabbit.pdf - O caso do simpático Coelho-europeu em terras da Austrália...
Só para finalizar importa referir que o nosso país tem legislação em vigor nesta matéria (Decreto-lei 565/99 de 21 de Dezembro), peca no entanto por falta de aplicação.
posted: 28-01-2008 by: César Capinha
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Raquel Melo at Deception Island
My friend and colleague Raquel Melo is in field study at Deception Island (Antarctic) till February 08. She went there to study Permafrost (permanently frozen soil) and its variations with climate change. Her on-line campaign diary is available at: http://blog.geographus.com/raquelmelo
(in portuguese). Give it a peek.
posted:19-01-2008 by: César Capinha
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Great animation video from WWF Brazil. Recommended! Maybe also useful to use in environmental education with children.
posted:19-01-2008 by: César Capinha
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Largest Mauremys leprosa ever, found at Tornada marsh
Past summer me and a couple of people from Tornada marsh defence association decided to undertake a study about the population conditions of Tornada marsh pond turtles, Mauremys leprosa and the threatened Emys orbicularis. Several conclusions were taken and it was also found there the largest Mauremys leprosa ever recorded in nature with 231mm. This specimen also weighted about 1.6 kg! You can achieve the synthesis of this work results here (in pdf).
posted:13-01-2008 by: César Capinha